O advogado Wesley Frido dos Santos fez uso da tribuna da Câmara de Maringá, durante a sessão ordinária desta terça-feira (11), para falar sobre os desafios enfrentados pelas pessoas com deficiência e a necessidade de fortalecimento das políticas públicas voltadas à acessibilidade e à inclusão.
O convite para a participação de Wesley na sessão foi feito pelo vereador Pastor Sandro Martins, que lembrou ter conhecido o advogado durante a faculdade de Direito.
“Durante essa trajetória, tive a oportunidade de conhecer pessoas que nos inspiram, nos ensinam e fazem parte de uma grande trajetória da vida de cada um. Uma delas foi o doutor Wesley e a nossa professora Fernanda”, afirmou.
O parlamentar lembrou que assim como todo estudante de Direito, Wesley enfrentou desafios “na preparação e na conquista da tão sonhada OAB”, mas ressaltou que sua caminhada teve obstáculos ainda maiores.
“O Wesley é uma pessoa cega e mesmo diante das barreiras que encontrou pelo caminho, não permitiu que a deficiência determinasse até onde ele poderia chegar”, afirmou.
“Hoje, tive a honra de trazê-lo à Câmara Municipal para compartilhar um pouco da sua trajetória e da sua experiência e principalmente mostrar que acessibilidade e inclusão precisam ser mais do que discursos: precisam estar presentes nas políticas públicas e nas oportunidades que oferecemos às pessoas com deficiência”, completou o vereador.
Desafios na faculdade
Wesley agradeceu aos vereadores pela oportunidade e fez um agradecimento especial à família e à professora Fernanda pelo apoio durante sua formação.
“No começo, eu achei que ia ser impossível. E eu me perguntava: ‘Deus, como que vai ser essa trajetória?’. No entanto, Deus é muito bom, e ele foi me fortalecendo cada vez mais, enviando pessoas na nossa vida que nos ajudam. Eu costumo dizer que são anjos”, afirmou.
O advogado também lembrou das dificuldades enfrentadas durante a faculdade e destacou que o preconceito ainda está presente na sociedade.
“Claro, a gente encontra, às vezes, quem quer passar o pé, quem quer derrubar, porque existe muito preconceito. Acreditem ou não: até na faculdade de Direito. Olha que situação! A gente tem preconceito aonde deveria ter garantia dos nossos direitos fundamentais”, disse.
“E, infelizmente, acontece. Mas, assim como a professora Fernanda, assim como outros professores que apareceram na minha vida, eu tive um caminho talvez um pouco menos difícil por eles se dedicarem a mim, por desenvolverem materiais, por darem um jeito de adaptar alguns materiais”, complementou.
Acessibilidade no cotidiano
Wesley destacou que a sociedade ainda precisa avançar na convivência com as pessoas com deficiência e defendeu mais empatia e atenção às barreiras presentes no cotidiano.
“Se eu fosse um cadeirante, será que eu conseguiria subir em tal restaurante? Vamos supor que vocês são donos de restaurante: será que, se eu fosse uma pessoa cega, eu teria possibilidade de me locomover nesse estabelecimento ou não? Se eu fosse uma pessoa surda, será que eu teria a mesma oportunidade de todos de estar integrado naquele lugar ou não?”, questionou.
“São atitudes que, às vezes, as pessoas, entre aspas, ‘normais’ perante o mundo, não se atentam. E são aonde nós, pessoas com deficiência, sofremos”, explicou.
O advogado também ressaltou que não gosta de uma abordagem baseada no vitimismo e afirmou que sua trajetória foi marcada pela luta e pela superação de obstáculos.
“Eu nunca gostei de vitimismo. A minha vida sempre foi luta. Desde o ensino fundamental, sempre tudo em escola pública. Então, os meus materiais sempre chegavam atrasados. Chegava o meu material do bimestre anterior. Olha a situação! Tinha que estudar, não tinha para onde correr”, relatou.
Conquista da OAB
Apesar das dificuldades, Wesley destacou a conquista da graduação em Direito e da aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
“Hoje eu sou advogado. Tive uns cinco anos de graduação, claro, com as adaptações necessárias. Realizei a prova da OAB sem as adaptações necessárias, porque não tive essa oportunidade. Então, eu tive que me adaptar. E era a única opção. Então, eu me adaptei, me adaptei, fiz e passei”, afirmou.
Para Wesley, a experiência demonstra a importância de garantir condições para que as pessoas com deficiência tenham as mesmas oportunidades.
Secretaria da Pessoa com Deficiência
Em Maringá, a Secretaria da Pessoa com Deficiência (SEPED) é responsável por coordenar políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência, planejando e executando programas de acessibilidade, campanhas de conscientização e ações de apoio às famílias.
A secretaria também desenvolve ações integradas com a Agência do Trabalhador para promover a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Além disso, realiza a coleta contínua de dados sobre a população com deficiência, com o objetivo de subsidiar melhorias na estrutura dos serviços e a elaboração de novas políticas públicas.
Telefone: (44) 3127-7204
E-mail : seped_gaf@maringa.pr.gov.br
Endereço: Avenida Advogado Horácio Raccanello Filho, 667 - Zona 07,
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