A Câmara de Vereadores de Maringá homenageou durante a sessão desta quinta-feira (18) o Conselho Federal de Capelania (Confecap), Regional Paraná. Na ocasião, foi entregue o Título de Consagração Pública ao presidente da entidade, capelão Alexandre Gardiolo, e o Título de Mérito Comunitário aos demais capelães, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à comunidade maringaense.
Autor da proposta, o vereador Professor Pacífico destacou o papel desempenhado pelos capelães junto às pessoas em situação de vulnerabilidade. “Os capelães resgatam vidas e, com coragem, atuam em espaços onde muita gente nem pensa em estar. Levam a Palavra de Deus a lugares onde pessoas já perderam quase tudo, inclusive, em alguns casos, a própria dignidade. O capelão oferece seu ombro, sua palavra e toda a sua espiritualidade para ajudar no resgate dessas vidas”, afirmou.
O parlamentar, que também desenvolve trabalhos sociais com dependentes químicos, ressaltou a importância desse acolhimento. “Eu sei o que significa uma pessoa perder a vontade de viver. Muitos já me disseram que foi um capelão ou uma capelã que os ajudou a enxergar a vida de outra forma. São pessoas que perderam a família, foram rejeitadas por todos, mas encontram nos capelães alguém que as abraça e diz: ‘você é um filho de Deus e pode ser restaurado’”, declarou.
Ao agradecer a homenagem, o presidente da entidade, capelão Alexandre Gardiolo, iniciou seu discurso recordando a origem histórica da capelania.
“Para entendermos a grandiosidade do que celebramos hoje, precisamos fazer uma breve viagem no tempo, até o ano 336 depois de Cristo. Imaginem o rigoroso inverno na antiga Gália, atual França. Um jovem soldado da cavalaria romana encontra um homem à beira da morte, tremendo de frio diante dos portões da cidade. Sem dinheiro ou alimentos para oferecer, ele pega sua espada, corta sua própria capa ao meio e entrega uma parte ao necessitado. Esse jovem era Martinho, que mais tarde seria conhecido como São Martinho”, relatou.
Gardiolo utilizou a história para refletir sobre o papel da capelania nos dias atuais e questionou a pouca visibilidade dada a esse trabalho.
“Como é possível que uma das mais antigas ferramentas de acolhimento, consolo e suporte emocional da história da humanidade permaneça, em pleno século XXI, praticamente invisível? Como um serviço essencial, que alcança o ser humano nos momentos de maior dor e vulnerabilidade, pode ser tão pouco difundido e valorizado em nosso país?”, questionou.
O presidente do Confecap destacou que a capelania atua em situações de extrema fragilidade humana, como hospitais, presídios, casas de recuperação, desastres naturais e crises humanitárias.
“O capelão escuta, acolhe e oferece presença em um mundo hiperconectado, mas profundamente solitário. É aquele que permanece ao lado da cama de um paciente terminal apenas para segurar sua mão. Vivemos em uma nação marcada por profundas crises sociais, altos índices de depressão e ansiedade e um tecido social cada vez mais fragilizado. Muitas vezes, são os capelães humanitários que estão na linha de frente ajudando a reconstruir esses vínculos”, afirmou.
Durante seu pronunciamento, Gardiolo também fez um apelo às autoridades públicas para que reconheçam a relevância social da atividade.
“Olhem para a Capelania Humanitária do Confecap não apenas como uma expressão religiosa, mas como uma força de apoio que alcança locais e situações onde muitas vezes o poder público encontra limitações para atuar. Regulamentem nossas prerrogativas, validem nosso trabalho e abram portas para que possamos servir ainda mais pessoas”, declarou.
Por fim, o capelão relacionou a missão atual dos voluntários ao gesto de São Martinho.
“Enquanto houver um capelão humanitário, a capa de Martinho continuará sendo dividida. Continuaremos estendendo a mão, ouvindo o que ninguém quer ouvir, indo onde ninguém quer ir e acolhendo aqueles que muitas vezes a sociedade escolheu esquecer.”
Confecap
O Conselho Federal de Capelania é uma instituição voltada à formação, capacitação e credenciamento de voluntários para atuação em hospitais, presídios, escolas, casas de recuperação e outros espaços de assistência humanitária. O trabalho inclui aconselhamento, apoio emocional e acompanhamento espiritual de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Em Maringá, a entidade promove regularmente cursos de formação em Capelania Humanitária, oferecendo capacitação técnica, certificação e credenciamento aos participantes.
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