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Maio Furta-Cor: Câmara debate sofrimento psíquico materno e políticas públicas
Assessoria de Imprensa - CMM 26/05/2026

A Câmara de Vereadores de Maringá recebeu, na sessão ordinária desta terça-feira (26), a psicóloga perinatal Bruna Dantas, que falou sobre saúde mental materna em celebração à campanha Maio Furta-Cor.


O Maio Furta-Cor tem como objetivo dar visibilidade ao sofrimento psíquico das mães, mostrando que a maternidade real possui muitas nuances e não deve ser romantizada, quebrando o mito da maternidade perfeita. A escolha da cor “furta-cor” ocorre porque ela muda de tonalidade conforme a luz, fazendo analogia aos sentimentos da maternidade, que oscilam entre alegria, exaustão, amor, culpa, entre outros.


A autora do convite para uso da tribuna, vereadora Professora Ana Lúcia, lembrou da “invisibilidade de uma questão que gera imenso sofrimento e que as mulheres têm vivido muitas vezes sozinhas”.


“Nesse sentido, a nossa Casa abre os microfones para fazer com que a saúde mental materna esteja na agenda pública e, principalmente, no orçamento público. Precisamos ampliar a escuta sobre essa questão a fim de fortalecer as políticas públicas e sensibilizar ainda mais a nossa cidade para essa causa, que é profundamente importante.”


A psicóloga perinatal Bruna Dantas agradeceu à vereadora Professora Ana Lúcia por ter acolhido o pedido de apresentação do projeto de lei que incluiu o Maio Furta-Cor no Calendário Oficial do Município, ainda em 2023, e ressaltou que, durante a maternidade, “quase sempre o olhar está voltado para o bebê, perguntando se está saudável, se ganhou peso e se dorme bem”.


“Raramente perguntamos como está essa mãe. Talvez esse seja um dos maiores silêncios da nossa sociedade. O Maio Furta-Cor é um movimento que nasceu para romper o silêncio em torno do sofrimento psíquico das mães e defender que cuidar do emocional materno também é política pública.”


A psicóloga lembrou que o Maio Furta-Cor surgiu em 2021 e hoje se tornou o maior movimento social pela saúde mental materna da América Latina, articulando ciência, mobilização social e conscientização.


“Assim como a cor furta-cor muda conforme a luz, a maternidade não é feita de uma única emoção: existe amor, mas também existe medo; existe alegria, mas também existe exaustão; existe encontro, mas também existe solidão. Reconhecer isso não diminui o amor materno, mas humaniza a experiência da maternidade”, afirmou.


A psicóloga ressaltou que a sociedade não deve romantizar o sofrimento das mulheres e alertou que, segundo dados do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde, o Brasil possui uma das maiores taxas de depressão pós-parto da América Latina.


“Cerca de 25% das mulheres brasileiras desenvolvem depressão após o nascimento do bebê. Isso significa que, em média, uma em cada quatro mães pode enfrentar um sofrimento psíquico importante no puerpério. Existe um dado ainda mais alarmante: cerca de 82% das mulheres em sofrimento psíquico materno não recebem diagnóstico ou tratamento adequado. Ou seja, a maioria das mães segue invisível para o sistema de saúde.”


E prosseguiu: “Muitas continuam cuidando, trabalhando, amamentando, sorrindo nas fotos, funcionando no automático, enquanto emocionalmente estão em profundo sofrimento. Isso acontece porque ainda existe uma expectativa social de que a maternidade seja naturalmente feliz o tempo todo, como se o nascimento de um bebê anulasse o cansaço, a sobrecarga, as inseguranças, as mudanças hormonais, os medos e a solidão”.


A psicóloga citou pesquisas realizadas no país, entre elas um estudo da USP que identificou que filhos de mães com sintomas depressivos persistentes apresentaram risco até três vezes maior de desenvolver problemas de saúde mental aos cinco anos de idade.


“Essas crianças apresentam mais dificuldades emocionais, alterações comportamentais, sofrimento psíquico infantil e dificuldade de relacionamento.”


Outro estudo brasileiro, também da USP, mostrou associação entre depressão materna e maiores dificuldades cognitivas, emocionais e comportamentais nas crianças.


“Quando uma mãe adoece sem suporte, o sofrimento pode atravessar gerações, porque o desenvolvimento infantil acontece dentro da relação. O bebê se desenvolve no vínculo, no olhar, na presença, na previsibilidade e na segurança emocional. A primeira infância literalmente molda o cérebro da criança e nenhuma mulher consegue sustentar emocionalmente um bebê enquanto está completamente abandonada emocionalmente.”


A psicóloga lembrou ainda de pesquisa da Fiocruz que mostra que mulheres com experiências de violência obstétrica apresentam maior risco de desenvolver depressão pós-parto e sofrimento psíquico importante.


“Que possamos construir uma sociedade onde mães não sejam admiradas apenas pela capacidade de suportar tudo, mas também reconhecidas como pessoas que merecem apoio, escuta e cuidado emocional. Porque, quando uma mãe é acolhida, uma criança também é protegida e, se queremos proteger a infância, precisamos começar protegendo quem sustenta emocionalmente essa infância todos os dias”, finalizou.


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